COM APOIO DO CENTRÃO, NOVA CPMF TEM MAIS CHANCES DE PASSAR NO CONGRESSO

Jornal o Povo
Rodrigo Maia e Paulo Guedes trabalham em campos FOTO: Pedro Ladeira

A estratégia do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do
presidente Jair Bolsonaro é isolar o presidente da Câmara, Rodrigo
Maia, na discussão sobre a criação de um novo imposto sobre
transações financeiras digitais, no molde da antiga CPMF.

A CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações
Financeiras) substituiu, em 1996, no governo Fernando Henrique
Cardoso, o Imposto Provisório sobre Movimentações Financeiras
(IPMF), que o tucano lançara junto com o Plano Real. Era uma verba
suplementar para a Saúde e a Previdência que acabou servindo para
desafogar o Orçamento em outras áreas. Foi derrubada em 2007, no
segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, graças a uma articulação
envolvendo os partidos que hoje compõem o chamado centrão.

O DEM, partido a que pertence Rodrigo Maia (RJ), nunca foi
simpático à taxação. Maia tem dito que, se depender dele, o imposto
nem entra em pauta. “Não contem com a presidência da Câmara para
pautar qualquer imposto disfarçado de CMPF”, chegou a declarar. O
problema é que os ventos estão mudando no Congresso. O presidente
da República adotou um figurino “Jairzinho Paz e Amor” (Lembram do
Lulinha Paz e Amor? Cópia pura) de relacionamento com os
parlamentares, oferecendo cargos e prioridades na liberação de
verbas. O centrão, agrupamento informal de partidos sem coloração
ideológica, já está aderindo à base de apoio ao governo.

Maior partido do grupo, o PP, por exemplo, era contrário à CPMF,
assim como Rodrigo Maia. Mas agora o líder da sigla na Câmara, Arthur
Lira (AL), disse que não considera a proposta de Paulo Guedes uma
nova CPMF. “É maldade de quem chama”, brincou. Em tempo: Lira
também é pré-candidato ao comando da Casa a partir de fevereiro. Há
outro nome no PP que conta com apoio de Maia para a sua sucessão, o
deputado Aguinaldo Ribeiro (PB). Procurado para saber sua opinião
sobre a nova CPMF, ele, que sempre foi contra, não respondeu.

Já o líder do PSD no Senado, Otto Alencar (BA), diz que será
favorável “desde que venha como recurso vinculado ao sistema de
saúde”. A antiga CPMF foi criada como verba suplementar para a Saúde
e a Previdência. Acabou servindo para desafogar o Orçamento em outras áreas. O Republicanos, que também está integrando a nova base
parlamentar do governo, embora formalmente se diga independente,
também já admite estudar a proposta. “Teremos que discutir
amplamente o assunto”, disse o presidente nacional da sigla, Marcos
Pereira, assim que Paulo Guedes levantou a tese.

Ainda permanecem na resistência os partidos de oposição e o
DEM de Rodrigo Maia. O líder demista na Câmara, Efraim Filho (PB), é
peremptório. “Acho que a proposta já foi batizada como ‘nova CPMF’. É
o mesmo formato, a mesma cara, não cola mudar o nome”, disse. Na
área da centro-direita, parece que o DEM está ficando cada vez mais
sozinho em relação à CPMF. E o Planalto acredita que, até a proposta
chegar ao plenário, já estará com sua base parlamentar assentada,
especialmente com o apoio do centrão.

MATÉRIA: de Teles Faria