Início Balneário Camboriú ENTREVISTA – A visão do presidente do Sinduscon BC

ENTREVISTA – A visão do presidente do Sinduscon BC

No intuito de mostrar à sociedade regional as grandes iniciativas e os principais desempenhos dos cidadãos de nossa terra, o Jornal O Povo traz hoje a opinião abalizada de um homem que conhece profundamente a cidade de Balneário Camboriú e Camboriú por ter vivenciado e continuar vivendo o dia a dia desses dois municípios, especialmente hoje que está à frente da presidência do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), o empresário Nelson Nitz.

Por: Molina Orval | Jornalista

Senhor Nelson, está disposto a contar um pouco de seus afazeres na presidência do Sinduscon, para que possamos repassar aos nossos leitores?

NN: Bem Molina, igual a você que labuta há tanto tempo com o jornal O Povo (mais de 30 anos), nós também já estamos nessa luta há mais de três décadas, por isso faço questão de explicar o que é a nossa entidade. O SINDUSCON é o Sindicato da Indústria da Construção Civil, o Sindicato que congrega os empresários, que são os nossos construtores, mas que hoje já engloba também outros tipos de colaboradores como aqueles que vendem os insumos necessários à construção de nossos edifícios, os prestadores de serviços, enfim é o pessoal envolvido diretamente na construção civil de Balneário Camboriú e Camboriú. Atuamos de forma conjunta, mesmo que sejamos concorrentes na questão de empregos, mas no setor da produção temos que ser parceiros, porque as dificuldades de uma construtora em relação a outra na aplicação de algum produto ou em algum serviço de mão de obra, sempre informamos uns aos outros, sempre com boas trocas de informações. Por isso o Sinduscon, hoje, sem falsa modéstia, é um sindicato de bastante crédito, por essa assiduidade que tem com seus parceiros.

O setor tem tido uma recuperação nesses últimos meses. Esses avanços também já aportaram em Balneário Camboriú?

NN: Olha, Balneário pode ter certos momentos de baixa, mas nossa cidade é sim um pouco atípica, porque não dependemos simplesmente do construtor local. Camboriú, nosso vizinho, que também faz parte do nosso sindicato, já é mais ligada ao mercado interno, regional. Aqui em Balneário o mercado é bastante diversificado. Vendemos para o Brasil e para o mundo. O plantador de soja lá do interior do Paraná ou do Mato Grosso, compra apartamento aqui. Mas também há pessoas que trabalha fora do Brasil – eu tenho uma cliente que mora em Dubai – ela poupa suas economias lá e reverte para Balneário Camboriú. Tem gente que mora nos Estados Unidos e também vem comprar aqui. Por isso que eu digo que nossa vantagem é estarmos sempre construindo. Às vezes diminuímos um pouco o ritmo, mas em seguida recuperamos. Hoje, por exemplo, estamos tendo uma recuperação bastante rápida, o que é bom para todos.

Com menos espaços para construir novas unidades, seria este o motivo de as construtoras estarem verticalizando cada vez mais os seus edifícios?

NN: Há controvérsias. De repente não se trata de menos espaços. Já há locais que estão consolidados, mas também há locais com prédios mais antigos que podem ser derrubados para dar espaço à construção de novos. Tenho exemplo na minha própria família que tinha um prédio antigo, foi tirado fora e no local está sendo erguido outro mais moderno e mais alto. A verticalização chegou aqui e outros locais mundo afora, por causa das novas técnicas que foram surgindo, permitindo esses novos procedimentos. Hoje somos mais diferentes do que a 20/30 anos atrás. Hoje a possibilidade de verticalização está mais próxima, não porque nossos técnicos simplesmente aprenderam mais, mas porque se especializaram na edificação de arranha-céus.

A Prefeitura tem dificultado ou não na liberação dos alvarás?

NN: Pelo contrário, a Prefeitura não dificulta em nada. Isso porque há leis que compõem o Plano Diretor do Município, que às vezes até a administração municipal tem interesse de aumentar, porque hoje, com o advento do Estatuto das Cidades, há situações que o município pode executar as liberações porque esse dinheiro que os cofres públicos arrecadam vai ao encontro das necessidades da prefeitura para a execução de novas obras. Por exemplo: recentemente foi feito o molhe da Barra Norte. São recursos advindos da construção civil, desses potenciais construtivos que a prefeitura se utiliza e vende e a construção civil adquire como se fora um espaço aéreo. Da mesma forma como está sendo feito na ligação entre a Rodovia das Flores e a Martin Luther, com dinheiro também advindo desses recursos. Nesses últimos anos, uma arrecadação de quase R$ 500 milhões provenientes em sua maior parte das construções, possibilitou que a prefeitura realizasse obras necessárias de mobilidade urbana e outras. Hoje não temos mais como construir sem conhecimento da prefeitura e do Ministério Público.

Como presidente dessa importante entidade, que tipo de preocupação o senhor tem tido com o setor?

NN: Bem, eu estou aqui de passagem. Eu estou presidente. Já tivemos muitos e outros virão. Mas o Sinduscon é um Sindicato de 30 anos que quer permanecer mais, por quanto tempo for possível. O que mais nos preocupa é colaborar com nosso pessoal, com a união de todos, traze-los aqui, estar junto deles. Recentemente tivemos reuniões com prefeitos, vereadores, APA (Área de Proteção Ambiental), secretário da prefeitura, procurando a melhor maneira de agir. Estamos às vésperas de uma nova temporada. Nessa oportunidade oferecemos ao prefeito os nossos conhecimentos, até nossos trabalhos se necessário for, para socorrer a prefeitura em qualquer dificuldade que ela possa vir a ter no verão. Claro que para o prefeito e os vereadores sempre há a parte política da coisa. Mas nós da construção também, os hoteleiros, donos de bares, restaurantes, comércio em geral. Todos visam suas vantagens financeiras, isso tudo agrega valores à nossa cidade.

O senhor já foi político. Hoje na presidência desse importante sindicato, como avalia a atuação do prefeito Fabrício Oliveira?

NN: Bem, eu fui um dos apoiadores da candidatura dele, por isso me sinto na obrigação de estar junto, acompanhando e até sugerindo. Claro que não temos mais aquele contado do dia a dia, mas acompanho. Porque vejo que o Fabrício é uma pessoa bem intencionada, tem algumas dificuldades, geradas pela própria situação. Hoje é difícil governar para qualquer prefeito. Há uma série de fiscalização departe do Ministério Público – que sempre fica de olho pra ver se encontra alguma coisa errada – além do Tribunal de Contas que faz marcação cerrada nas administrações. Tudo é muito policiado, mas o que eu sempre digo a todos, é que ele é um sujeito honesto que gosta muito de trabalhar. Até onde eu sei (e acredito nisso) ele está para servir, o que é muito bom para todos.

O senhor poderia fazer um prognóstico da temporada 2019/20. Quais as expectativas, principalmente do setor da Construção Civil?

NN: Em outubro estive em uma feira de Turismo em Buenos Aires, da qual tenho participado há anos. Encontrei uma perspectiva muito ruim, pois fiquei sabendo que a vinda dos argentinos ao Brasil, especialmente a Santa Catarina, será das menores este ano, pelas dificuldades que eles estão tendo lá. Por outro lado, a situação do Nordeste brasileiro, com toda aquela problemática do óleo atingindo as praias nordestinas, vai trazer muita gente para cá. Às vezes a desgraça de uns é a sorte de outros, infelizmente. Por isso alerto nossos comerciantes, nossa hotelaria, que deve estar preparados para receber muita gente nesta temporada, gente do próprio Brasil.

Trocando um pouco de conversa pergunto; o senhor desistiu da política ou tem dado um tempo para apoiar sua filha que parece ter entrado e gostado do meio político?

NN: Estamos no início de novembro (no último dia 31 eu fiz 67 anos) então pode ser que já esteja na hora mesmo, como dizem os futebolistas, de pendurar as chuteiras. A política absorve demais as pessoas. Vejo o próprio Fabrício e outros, ou até mesmo a Juliethe, que é minha filha, que a dedicação hoje dos políticos é muito intensa. Sem falar que as pessoas cobram muito quando não vêm a coisa sendo feita a contento delas. Hoje o político tem que viver e se dedicar as 24 horas do dia à sua atividade política. Por tudo isso é que hoje eu quero muito mais tranquilidade que me preocupar desnecessariamente, apesar de saber que na vida, tudo que fazemos tem alguma coisa de política. Hoje eu quero viver para minha família, para as pessoas que me gostam. Na verdade, hoje não quero mais um cargo político eletivo. Você poderia dizer: mas você está presidente do Sinduscon. Mas aqui é diferente, além de contar com uma excelente equipe de funcionários que me ajudam da melhor maneira possível. Por isso nem tenho a necessidade de estar sempre presente aqui no escritório. Nossa entidade funciona muito bem, não pelo presidente apenas, mas porque tem bons funcionários.

Como o senhor vê as questões da mobilidade urbana. De que forma o Sindicato poderia colaborar com isso?

NN: Nós temos aqui um grupo de engenheiros, projetistas, arquitetos que discutem tantas novas tecnologias, assim como têm interesse que a cidade funcione cada vez melhor. Porque a cidade melhorando, a qualidade de vida das pessoas, não apenas dos moradores fixos, mas também daqueles que vêm morar aqui, tudo isso nos interessa muito. Não só porque estamos e vivemos aqui, mas porque a gente sabe que tudo isso tem um preço. Balneário Camboriú recentemente recebeu o título de uma das cidades mais seguras do Brasil. E as pessoas querem segurança, querem poder andar por nossas ruas e avenidas sabendo que nada vai lhes acontecer. Hoje de qualquer lugar da cidade você pode fazer seus deslocamentos a pé mesmo, deixando o carro em casa. Evidentemente nosso trânsito que já está saturado em dias normais, fica infernal nas temporadas.

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O senhor gostaria de acrescentar algo mais,  ao encerrarmos essa entrevista?

Apenas cumprimentar você Molina, que há tantos anos labuta nessa atividade em Balneário Camboriú, por sua persistência nessa área hoje tão concorrida, mas saiba que quem corre atrás sempre alcança. Parabéns por sua atuação! O sucesso vem sempre para aqueles que se esforçam! Obrigado pela oportunidade!