PLANO EMERGENCIAL PODE VIR

Politicando
Enterros podem chegar a 1000 por dia

O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que o país poderá imprimir dinheiro para enfrentar a crise econômica provocada pelo coronavírus, caso a situação fique ainda mais grave do que está. No entanto, ele alega que as medidas emergenciais precisam ter um caráter provisório e não podem abrir brecha para a criação de despesas permanentes. Guedes diz que se sentiu incomodado com a intervenção de outros ministros em sua seara e que alguns auxiliares chegaram até a pensar que ele deixaria o cargo. Sabendo que uma possível saída de Guedes pode levar o governo de vez ao chão, logo depois Bolsonaro voltou a dizer que quem manda na economia é o ‘Posto Ipiranga’.

Paulo Guedes preocupado com a economia

AS BOAS NOVAS DA SEMANA

Já passa de 1 milhão o número de pessoas curadas da Covid-19 em todo o mundo. Na Coreia do Sul, pela primeira vez desde o início da epidemia nenhum contágio local foi registrado. Já em São Paulo, o governo vai aplicar testes rápidos em pessoas que tiveram contato com pacientes, mas permaneceram assintomáticas por mais de 14 dias. Um milhão de exames serão usados na primeira fase. A testagem em larga escala vai ajudar na formulação de estratégias contra o vírus. No campo científico, as pesquisas também avançam. O tratamento com o antiviral remdesivir (outra tirada de Trump) ganha cada vez mais apoio entre médicos e uma promissora vacina britânica começou a ser testada em humanos. Em meio à pandemia, são boas notícias.

O NOSSO MAU EXEMPLO

A maioria dos países componentes da América Latina parece contabilizar sucesso na luta contra o vírus. Menos um: o Brasil. Argentina e Paraguai, por exemplo, conseguiram achatar a curva da doença com medidas restritivas. Para os vizinhos, a maior economia da região se tornou um mau exemplo no combate à Covid-19. Em meio a isso, prefeitos que haviam relaxado a quarentena recuaram. O ministro da Saúde, inclusive, defendeu a manutenção do isolamento, ao contrário do que pensa o chefe Águia Vermelha. “Não dá pra começar uma liberação quando tem uma curva em franca ascendência”. Com 100% dos leitos de UTI ocupados, a justiça de São Luís decretou um lockdown. Ninguém entra e ninguém sai da capital maranhense. Esta foi a primeira decisão do tipo no país. O estado do Maranhão entra em lockdown por 10 dias após uma decisão da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís. A medida é válida para as 4 cidades da Grande Ilha de São Luís – São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. Isso ocorre porque a cidade está com a capacidade hospitalar praticamente esgotada. Na quarta-feira, 29, a cidade registrava 2,4 mil casos confirmados de coronavírus e 149 mortes.

MAS O QUE É LOCKDOWN?

Nós brasileiros, vira e mexe estamos introduzindo palavras inglesas no nosso dia a dia. A expressão lockdown vem do inglês e se refere a um bloqueio de algum protocolo de emergência, que impede a circulação de pessoas em uma determinada área. Em suma, é fechar fronteiras, seja de cidades, estados ou nações.

LOCKDOWN

FAVELAS ESTÃO AMEAÇADAS

Quando o coronavírus surgiu na Ásia e depois se alastrou para a Europa e Estados Unidos, a comunidade científica questionou sobre como seria na hora em que o vírus chegasse às favelas, onde metade dos moradores não tem nem acesso a saneamento básico e a maioria mora praticamente amontoada. Uma matéria da Revista VEJA desta semana mostra que a doença já chegou aos bolsões de pobreza – e de forma arrasadora. Na Rocinha, onde moram 70 mil pessoas, apesar do avanço do contágio, as ruas seguem cheias de gente sem condição de parar tudo e se proteger da doença. Até o momento, os dados oficiais falam em 53 infectados e seis mortos nessa favela. Especialistas apontam, entretanto, que o número é quinze vezes maior que os oficiais. Que isto sirva de alerta para quem tem a caneta na mão.

NA VANGUARDA

Um dos principais nomes dos estudos sobre o remdesivir, mais uma esperança de tratamento da Covid-19, é o do brasileiro André Kalil, infectologista e pesquisador da Universidade de Nebraska Medical Center, em Omaha, nos Estados Unidos. O trabalho do médico foi usado como exemplo positivo no combate ao vírus por Anthony Fauci, o cientista consultor da Casa Branca, e também a rotina desse gaúcho de Bagé. Nesta semana, o laboratório Gilead, responsável pela produção do remdesivir, se posicionou sobre os recentes resultados positivos de estudos. Enquanto isso, a aprovação do tratamento com o antiviral segue em avaliação pela agência de saúde dos EUA. O mundo aguarda cheio de esperança. E nós também…

A GRANDE PANDEMIA

Parece até nome de filme, daqueles de terror. Mas não é. Em meio ao avanço do coronavírus, um livro sobre outro momento trágico da história chega ao Brasil no próximo dia 18 de maio. É ‘A Grande Gripe’ que relembra a devastadora epidemia da gripe espanhola, que assolou o mundo entre 1918 e 1920 e ceifou entre 50 e 100 milhões de vidas, o equivalente a 5% da população na época. A obra foi escrita pelo americano John M. Barry. Ele aponta as diferenças do atual surto para o de 100 anos atrás. “Temos agora a vantagem de contar com o conhecimento científico acumulado desde então para lidar com a ameaça viral em larga escala”. É uma leitura importante que devemos fazer em tempos de quarentena.

MINISTRO TEICH ADMITE

O ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu em coletiva de imprensa na quinta-feira, dia 30 de abril, que o número de vítimas fatais em razão da Covid-19 no Brasil pode ultrapassar a casa de mil por dia. No entanto, segundo ele, isso ocorrerá não por conta da quebra crescente do isolamento verificada em vários estados e defendida por Jair Bolsonaro, mas pelo movimento de aumento do número de óbitos.

Ministro Nelson Teich da Saúde

Teich disse que em relação a um possível número de mortes, hoje o Brasil está perto de 500 mortes, 400, no mínimo. “O número de 1.000, se estivermos num movimento, num crescimento significativo da pandemia, é um número que é possível acontecer. Não quer dizer que vai acontecer. A gente tem que acompanhar a cada dia para ver o que está acontecendo para tomar as decisões”. De acordo com balanço de quinta-feira do Ministério da Saúde, o país registrava 5.901 mortes em razão da doença no país, sendo 435 mortes nas últimas 24 horas do dia anterior. (hoje já passamos bastante dos seis mil mortos). Ao mesmo tempo, o ministro informou que as diretrizes para o afrouxamento da quarentena estão prontas, e o governo só avalia a melhor forma de anunciar. Lembrou que isso já foi feito, e que a questão agora é como veicular para que isso não se torne motivo de discórdia. Segundo ele, não se trata de nada inovador, apenas segue o que outros países já estão fazendo (ele não citou quais países) para efeitos de comparação com o Brasil sobre o andamento da pandemia. Afirmou por fim, que ninguém vai chegar aqui com uma coisa milagrosa, que nunca se viu antes. “O mundo inteiro está fazendo isso. Várias cidades, que nem estão com a curva caindo, estão adotando a flexibilidade”.

O número de mortos por dia, de acordo com Teich, não é parâmetro para definir essa política. “O número de mortes adicional é muito triste. Mas não é porque eu tenho essa alteração do número de mortes que uma apolítica vai mudar. Então não adianta ficar escalando quantos morrem a mais todo dia, a política não é em função disso, é em função do grau de crescimento e da heterogeneidade que o país tem”. Na verdade, o próprio ministro admite, com suas explicações, que nem ele está entendendo bem o que fazer para ao menos minimizar a crise que se abate no nosso País.

Claro que sabemos que as dificuldades aumentam a cada dia, especialmente na indústria, no comércio e em vários setores de serviços. Nossas crianças e nossos jovens estão em casa quando deveriam estar nos bancos escolares. Os trabalhadores, que ganham pouco, já estão sofrendo perdas irreparáveis, quando não, a perda do próprio emprego. Sabemos e entendemos que muitos querem a

reabertura do comércio e a volta à normalidade. Nós também. Mas temos que ter paciência. Mahatma Gandhi dizia:

“PERDER A PACIÊNCIA É PERDER A BATALHA”

Aliás, existe uma história Oriental muito interessante, onde um grande Rei de pouca paciência se preparava para a maior batalha da sua vida. Um exército de inimigos poderosos marchava contra o seu. Quem vencesse a batalha, ganharia o trono real. Na manhã da batalha, o Rei foi verificar se o seu cavalo preferido estava pronto.

– Coloca as ferraduras, rápido! – Disse ao ferreiro.

– Sua majestade tem que esperar – respondeu o ferreiro. Há dias venho ferrando todos os cavalos do exército real e agora preciso ir buscar mais ferraduras.

– Não posso esperar – gritou o Rei, impaciente. Os inimigos estão a avançar. Faz o que puderes agora com o material que tens!

O ferreiro, então, começou a trabalhar no limite das suas forças. A partir de uma barra de ferro, providenciou quatro ferraduras. Malhou-as o quanto pôde até dar-lhes formas adequadas. Começou a pregá-las nas patas do cavalo, mas depois de colocar as três primeiras descobriu que não havia pregos para a quarta.

– Preciso de mais um ou dois pregos – disse ao Rei -, e vou precisar de tempo para fazê-los no malho.

– Eu já disse que não posso esperar – respondeu o Rei impaciente. Usa o material que tens!

– Posso colocar a ferradura, mas não ficará tão firme como as outras.

– Ela cairá? – Perguntou o Rei.

– Provavelmente não – retrucou o ferreiro -, mas não posso garantir.

– Então, usa os pregos que tens! – gritou o Rei.

Os exércitos enfrentaram-se e o Rei participava ativamente, no coração da batalha. Tocava a montaria, cruzando o campo de um lado para o outro, liderando os seus homens e combatendo os inimigos.

– Adiante! – gritava, provocando os seus soldados contra os inimigos.

Lá longe, na retaguarda do campo, avistou alguns de seus homens batendo em retirada. Se os outros os vissem, também iriam fugir da batalha. Então, o Rei meteu as esporas no cavalo e partiu a galope na direção deles, conclamando os soldados a voltar à luta. Mal percorrera metade da distância, seu cavalo perdeu uma das ferraduras. O animal desequilibrou-se, caiu e o Rei foi parar ao chão. E antes que se pudesse agarrar de novo às rédeas, o cavalo, assustado, levantou-se e saiu em retirada. O Rei olhou e viu os seus homens darem meia volta e fugirem, e os soldados do inimigo fecharam o cerco ao seu redor. O seu exército estava derrotado e os soldados estavam preocupados em salvar a própria vida. Assim as tropas do inimigo dominaram o Rei e ganharam a batalha.

E DESDE ENTÃO AS PESSOAS DIZEM:

Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura.

Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo.

Por falta de um cavalo, perdeu-se uma batalha.

Por falta de uma batalha, perdeu-se um Reino.

E tudo isso por falta de um prego na ferradura!

Essa é uma história oriental de autor desconhecido, que se passada para os dias atuais, poderá ter efeito idêntico. Então temos que lembrar a todos: “cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém. O apressado como cru e quente”. De nada adiantará ficarmos remendando nosso sistema já roto pelo tempo, apressando o passo na busca de soluções miraculosas, se no fim perdemos a guerra do mesmo jeito. Melhor é ter paciência, irmos fazendo a coisa certa, como manda o figurino, mesmo que isso dificulte a nossa vida e a vida de nossos irmãos, mas que ao final possamos todos comemorar a vitória alcançada. Vitória que só virá com sacrifício, se todos colaborarem e ninguém ousar de apressar como fez aquele velho rei da historinha que contamos.