IMENSIDÕES DO BRASIL

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Imagem da Floresta Amazônica

A FUNÇÃO SOCIAL E ECONÔMICA DAS FLORESTAS

A floresta tropical amazônica, que cobre boa parte do
noroeste do Brasil e se estende até a Colômbia, o Peru e outros
países da América do Sul, é a maior floresta tropical do mundo,
famosa por sua biodiversidade. Ela é atravessada por milhares de
rios, entre eles o grandioso rio Amazonas. Entre as cidades
ribeirinhas, com arquitetura do século XIX que data do início da
exploração de borracha, destaca-se: Manaus e Belém, no Brasil, e
Iquitos e Puerto Maldonado, no Peru.

O QUE DIZEM OS TÉCNICOS

Além de fundamentais para a manutenção da biodiversidade, as
florestas desempenham funções sociais e econômicas essenciais aos
seres humanos. Entre os bens e serviços ecossistêmicos oferecidos
estão o fornecimento de água, alimentos e medicamentos, o sequestro
de carbono, a regulação do clima e o controle de erosões.
O biólogo Guilherme Karam, coordenador de Negócios e
Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
explica que “quando falamos em proteção às florestas, temos de
considerar três âmbitos essenciais: ecológico, econômico e social”. Ele
aponta que este é um conceito e uma reflexão que precisam ser
amplamente difundidos para que cada vez mais compreendam que a
conservação desses ecossistemas é fundamental para a manutenção da
vida, não apenas das espécies que os habitam, mas de nossa sociedade
como um todo.

Imagem do Salto Morato

No último dia 17, comemorou-se o Dia de Proteção às Florestas.
De acordo com o Relatório de Avaliação Global dos Recursos Florestais
de 2020 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura (FAO), 12% das florestas do mundo estão no Brasil,
totalizando 497 milhões de hectares – destes, 97% são florestas nativas. A base de dados GlobalTreeSearch indicou, em 2019, a
existência de 60.082 espécies de árvores no mundo, sendo que o Brasil
é o país com a maior diversidade: mais de 9 mil espécies.
Segundo o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), a economia das
florestas gerou, em 2018, apenas considerando as áreas com vegetação
nativa, 11.638 empregos formais no Brasil. Entre as oportunidades de
uso sustentável dessas áreas está a extração de alimentos, oleaginosas,
ceras, fibras e substâncias medicinais que integram a rica e dinâmica
cadeia de produtos naturais. Em 2017, foram coletadas 741,4
toneladas desses produtos, movimentando R$ 1,3 bilhão. Entre os
produtos mais comercializados estão a erva-mate e o açaí. Entretanto,
especialistas alertam que a retirada dos produtos deve ocorrer de
forma sustentável, sem agredir o meio ambiente. A pesquisadora
Teresa Cristina Magro Lindenkamp, membro da Rede de Especialistas
em Conservação da Natureza (RECN) e professora associada do
Departamento de Ciências Florestais da Universidade de São Paulo
(USP), ressalta que “as florestas por si só e por toda a biodiversidade
que carrega já nos dão razões suficientes para protegê-las. Mas o papel
que elas (florestas) têm na saúde e no bem-estar humano reforçam
ainda mais a necessidade de políticas públicas para garantir sua
sobrevivência”.

OS BENEFÍCIOS DAS FLORESTAS

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Área de reservas da Mata Atlântica

Entre os benefícios das florestas e do contato com a natureza
para a saúde estão a queda do nível de cortisol no organismo – o
hormônio do estresse –, redução da pressão sanguínea e declínio da
frequência cardíaca. Além disso, estudos mostram que essa relação
contribui para melhorar quadros de ansiedade e depressão.
Do ponto de vista ecológico, as florestas são as maiores fontes de
biodiversidade, com riquezas ainda pouco conhecidas, que oferecem
serviços ecossistêmicos como: a regulação do clima, o sequestro de
carbono, a conservação do solo e dos recursos hídricos e a manutenção
dos ciclos de chuva. Economicamente, os produtos florestais estão
relacionados a diversos setores produtivos, direta ou indiretamente.
Ambientes naturais conservados podem ganhar ainda mais relevância
social quando negócios passam a usufruí-los de forma equilibrada,
gerando, além de lucro, impacto positivo para sua conservação.
Tratam-se, em sua maioria, de negócios de pequeno e médio porte
ligados ao turismo, a cadeias produtivas da biodiversidade ou à
agricultura sustentável. Karam explica que “o uso adequado de áreas
com florestas naturais, prezando, sobretudo pela proteção desses ambientes, é uma alternativa econômica de extrema importância para
que as populações locais ampliem sua renda e melhorem suas
condições de vida, utilizando a vocação do seu território. Os negócios
de impacto positivo, como chamamos, conectam a tríade da
sustentabilidade. Que além do aspecto ambiental, agregam valor social
e econômico”.

AS FLORESTAS URBANAS

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Parque Nacional da Tijuca – Rio de Janeiro FOTO: Divulgação

O papel fundamental das florestas para o bem-estar econômico e
social da população não se restringe aos grandes remanescentes
florestais em áreas rurais. As florestas urbanas, próximas às cidades,
têm impacto mais visível no dia a dia das pessoas. São responsáveis por
amenizar os efeitos poluentes da urbanização, pela purificação do ar e da
água, por permitir a absorção da água da chuva (evitando alagamentos),
bem como pela manutenção do microclima local. Entre as mais
conhecidas florestas urbanas do Brasil estão o Parque Estadual da Pedra
Branca, na cidade do Rio de Janeiro (RJ); o Parque da Cantareira, em São
Paulo (SP); e a Floresta da Tijuca, também no Rio.
“A maioria das florestas está distante das metrópoles e exige
grandes deslocamentos e gastos para conhecê-las. Por isso, é tão
necessário repensar a forma de ocupação urbana para que as áreas
verdes remanescentes sejam conservadas e protegidas”, avalia Teresa
Cristina, que já foi coordenadora de Seção de Conservação da Natureza
e Áreas Protegidas da International Union of Forest Research
Organizations (IUFRO).
O desmatamento, gerado pela conversão de cobertura florestal
para agropecuária, segue sendo o maior risco para as florestas
brasileiras. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no
Brasil, do MapBiomas, em 2019, o País perdeu aproximadamente 1,2
milhões de hectares (12.187 quilômetros quadrados) de vegetação
nativa – uma área equivalente a oito vezes a cidade de São Paulo.

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Reserva natural da Serra do Tombador CRÉDITO: José Paiva