Se correr o bicho pega, se ficar…

De crise em crise, tempestades, epidemias, pandemias e tremores sociais, a gente vai levando.

Vivemos agora um tsunami de afetos na economia, saúde mental e física, com uma devassa impressionante atingindo a todas as pessoas, com prejuízos imensuráveis. Não bastasse a situação social complicada já existente, somos vitimados por um maremoto mundial gigantesco, ameaçados de morte física e econômica, chamado de pandemia coronavírus.

As pessoas em isolamento já não aguentam mais, estão ficando neuróticas e desequilibradas, assustadas, desesperadas, sem conseguir fazer suas escolhas mais acertadas. Pensamos que já havíamos passado pela mais profunda recessão, no entanto, temos agora a oportunidade de vivenciar um clima de desespero causando medo e insegurança em todos os níveis sociais, vislumbrando um retrocesso nunca experimentado. As frustrações consecutivas tiram a esperança de um país melhor, ou de um mundo melhor. As pessoas buscam freneticamente alcançar alguma coisa que lhes seja favorável, não se importando com os demais. É a lei de “tirar vantagem em tudo” a qualquer custo, culminando com brigas, furtos e agressões, como numa selva, onde sobrevive o mais forte, o mais ligeiro e o mais esperto.

Pela história da humanidade, o desenvolvimento humano é alcançado passando por desastres os mais variados, aprendendo a duras penas como sobreviver coletivamente e, quando alcança um nível satisfatório, a zona de conforto reduz a capacidade de pensar e prevenir futuras situações desagradáveis. Dessa forma, a exploração pelos ludibriadores continua e, quanto mais desinformada e amedrontada a população, mais fácil de dominar com ofertas de migalhas, iludindo-a, como se recebessem um grande favor. É um cenário catastrófico que atinge todos os países. As mentiras continuam com promessas, desperdícios e valores inimagináveis. Atitudes surpreendentes dos governantes que não se conciliam, não se entendem e o que vemos é uma disputa narcísica, pouco se importando com as consequências. Num momento tão drástico, que requer união em busca do melhor para uma sociedade, o que se vê são interesses de determinados poderes que estão numa eterna competição. Como resultado, nossas crianças vão sendo contaminadas com valores morais e éticos inadequados para se construir uma harmonia em sociedade. Os mais velhos são menosprezados e passam a ser um fardo do qual a organização político-social precisa se livrar. As famílias em “prisão domiciliar”, submetidas à carga excessiva de sensacionalismos dos noticiários que exploram com tragédias disseminando o terror, ficam revoltadas e ansiosas, resultando numa neurose de massa. Empresários, que recebiam aplausos por gerarem emprego, agora são criticados pelas demissões necessárias para sua sobrevivência, sob a pecha de desumanos.

A flexibilização das leis trabalhistas são rejeitas pelos sindicalistas, mas que não apresentam solução. As pessoas se esquecem de mil refeições bem servidas, mas se lembram de uma que faltou. Opiniões diversas e achismos são manifestados, mas não sabemos qual é a verdade. “Torre de Babel!” Dizem que depois da tempestade vem a bonança, significando que depois de um desastre avassalador sempre vem algo de bom, com a esperança de um tempo melhor. Isto mais parece uma forma de consolo que alimenta a fuga da responsabilidade de cada um na construção de um mundo saudável, porque dá trabalho e requer muito esforço para mudar. Pagamos mais caro com os desmandos e interesses econômicos e políticos, enfrentando filas e dissabores e continuamos dominados pelos mais espertos, que sugam as nossas energias e, igual a galinhas, recebemos farelos para matar a fome. E o que fazer com tudo isto? “Se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come!” É 100% Humano.