A do Silvio Santos, claro…
O número de ministérios seria reduzido à metade, segundo dizia o presidente eleito Jair Bolsonaro, logo após as eleições de 2018. Não havia a possibilidade de nenhum acordo com o Centrão, representante (segundo o presidente) da Velha Política.
“Abaixo a esquerda”, afirmava. E completava: “chega de PT”. Todavia, o número de ministérios não somente não foi reduzido à metade, como agora com a “afinidade” com o Centrão, esse grupo de “chupa-cabras” virou símbolo da Nova Política e fez surgir mais um ministério – o das Comunicações. E imagine só.
O mais novo ministro, Fábio Faria, foi eleitor de Lula e Dilma. Foi também vice-líder do bloco de esquerda formado por PCdoB (comunistas da linha chinesa), PDT (o partido de Leonel Brizola e de Ciro Gomes), PSB (socialistas), PMN e PRB. Fábio Faria está no PSD – partido cujo presidente, o ex-prefeito paulista Gilberto Kassab, foi ministro de Dilma. Esse é o perfil, digamos, ideológico, (ou se preferirem, o viés ideológico como costuma dizer o presidente) do novo ministro das Comunicações do governo que gosta de afirmar ser de direita. Mas o melhor vem agora. Todos garantem ter sido surpreendidos com a criação do Ministério das Comunicações e a escolha de Fábio Faria. Kassab, o mestre da negociação, um dos políticos mais bem informados do país, diz que não soube das negociações de Bolsonaro com Faria. Tem mais: Faria é genro de Sílvio Santos, casado com Patrícia Abravanel. Pois não é que também o Sílvio afirmou que não sabia de nada? Mas será que alguém acredita? Pois é: todos dizem que as negociações foram mantidas em sigilo para que nada vazasse. E só quando o Diário Oficial da União (o famoso DOU) já estava entrando no ar é que o informaram. Sílvio não ficou nem um pouco chateado, claro – como se sabe, ele não se preocupa em saber tudo o que ocorre em seu redor, e em detalhes. Mas ninguém ia mentir. Nós acreditamos.

A intimidade de Fábio Faria com a TV, por meio do sogro, e o bom contato com os chineses, via PCdoB, podem ajudá-lo numa das mais difíceis tarefas do Ministério das Comunicações: a escolha do 5G a ser implantado no Brasil. O 5G promete uma revolução não apenas nas comunicações, mas, pela velocidade e estabilidade, na própria maneira de viver – será mais fácil, por exemplo, trabalhar em casa. Há duas empresas no duelo: a chinesa Huawei, que lidera a corrida, e a americana Qualcomm. O presidente Trump, que tem forte influência sobre Bolsonaro & Filhos Ltda., acha que a Huawei é um braço da espionagem chinesa. Outra tarefa será preparar os Correios para a privatização. E, ao mesmo tempo, passa a ser responsabilidade de Faria a propaganda do Governo. Agora ele é o chefe de Fábio Wajngarten; e é quem terá de lidar com Carluxo, o filho number 02, líder extraoficial de toda a propaganda. Fica uma pergunta: “como será que o novo ministro vai tratar das fake News?”











